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A história do biquíni

Mesmo não sendo uma pessoa, digamos, “ensolarada”, confesso que o verão é a estação do ano que mais me anima, e é inevitável falar do assunto depois de ver tantas campanhas e editoriais tendo a estação como foco (afinal, é verão!). Para o post de hoje pensei em aliar um pouquinho de história e falar sobre o biquíni. Quer descobrir um pouco sobre a trajetória que a peça percorreu até chegar nas micro-versões que conhecemos hoje, e que nós, brasileiras, ajudamos a popularizar mundo afora? Acompanhe:

Life Archive - 1958

Por volta das décadas de 20 e 30 o traje de banho padrão, tanto para homens quanto para mulheres, eram peças únicas, em algodão, que vestiam as pessoas do pescoço aos joelhos. A menor roupa que as mulheres da época tinham coragem e podiam usar (sim, pois existiam leis específicas em alguns países que tratavam sobre o comprimento permitido do traje) eram maiôs grandões que pareciam vestidos com uma espécie de short por baixo. A partir dos anos 30, começou a ser mais comum mostrar um pouco mais as pernas na praia. As mulheres mais jovens foram as primeiras a aderir ao novo comprimento.

Policial mede o comprimento do traje de banhistas em praia de Washington para averiguar se está de acordo com as leis locais. Em 30 de junho de 1922.

Em julho de 1946, militares americanos retiraram moradores do Atol de Bikini, na Micronésia, para que ali pudessem realizar testes com bombas nucleares. Alguns habitantes encaminhados para ilhas no sul do Pacífico sofreram os efeitos colaterais da radioatividade, e quando os médicos americanos foram examinar essas pessoas, que estavam completamente nuas devido à radiação, os militares usaram folhas de exemplares do jornal The New York Times para cobrir as partes íntimas dos doentes. Inspirado pelo evento dos jornais cobrindo o corpo das pessoas, o engenheiro(!) francês Louis Reárd criou um minúsculo traje de banho com estampa de recortes de jornal, que foi batizado como bikini. Obviamente, a vestimenta era ousadíssima para a época em questão e nenhuma modelo aceitou vestí-la. Para apresentar sua mais nova criação, às margens do Sena, Louis Reárd teve de contratar a stripper Micheline Bernardini. O biquíni foi imediatamente proibido em vários países da Europa que ficaram escandalizados com a miudeza da peça, entre eles Espanha, Bélgica, Inglaterra e Itália.

A stripper Micheline Bernardini apresenta o primeiro biquíni, criação de Louis Reárd. Em 5 de julho de 1946.

Na década de 50, as atrizes de cinema e as pin-ups americanas foram as maiores divulgadoras do biquíni. Em 1956, (a lindíssima) Brigitte Bardot foi a responsável por imortalizar o traje no filme “E Deus Criou a Mulher”. Nessa mesma época o biquíni passou a ser usado no Brasil, primeiramente pelas vedetes Carmem Verônica e Norma Tamar, e, mais tarde, pela maioria decidida a aderir à sensualidade da peça. Nos Estados Unidos, o uso do traje só ganhou força por volta da década de 60. Grande parte desse sucesso pode ser atribuído à Marilyn Monroe, ícone de beleza, que ajudou a popularizar a peça.

Marilyn, sua linda!

No início dos anos 70, surge um novo modelo de biquíni: a brasileiríssima tanga. A partir de então, a ousadia parecia não ter mais limites, e nos anos 80 surgiram modelos cada vez menores como o asa-delta e o cortininha, até chegar no imbatível fio-dental, que apareceu pela primeira vez nas areias de Copabana (0nde mais poderia ser?). Hoje, a moda praia ganha cada vez mais espaço e o Brasil é referência mundial no segmento.


Por Ana Carolina.

Literatura em revista

Publicações dos quatro cantos do nosso país, abordando poesia e arte como um todo tiveram um boom nos anos 2000. De Norte a Sul, poetas e designers têm sido heróis, pois o apoio privado é muito restrito e projetos com uma visão diferenciada e provocante são algo em que, dificilmente, grandes empresários apostam. Tais projetos viram realidade graças ao poder público, leis de incentivo e ajuda de amigos, muitas vezes colaborando com a parte gráfica, um texto, ou até mesmo um anúncio publicitário. Enfim, ser artista no Brasil exige muita ralação, como o  álbum da banda Macaco Bong, de Cuiabá, define: “Artista igual Pedreiro“.


A Babel é uma revista que teve ínicio em 2000, publicada em Santos-SP. De acordo com seu editor, Ademir Demarchi, “Tal como seu nome, ela foi pensada como objeto conceitual e desierarquizante para publicar e pensar poesia contemporânea, nacional e estrangeira, de forma abrangente, sem determinações de grupo ou estéticas”. Infelizmente teve seu fim no ano de 2004.
Em Lodrina-PR, os escritores e jornalistas Rodrigo Garcia Lopes e Marcos Losnak formaram parceria ao também escritor e jornalista Ademir Assunção para realizar um sonho que viria a ser a revista Coyote. “A revista quer representar uma intervenção cultural e uma lufada de criatividade e radicalidade no cenário artístico brasileiro. Tem sido uma enorme aventura editar a revista nesses anos todos, sobretudo sabendo da dificuldade que projetos literários independentes encontram no Brasil”, ressalta Lopes. A primeira edição saiu em 2002 e, até hoje, resiste ao tempo. Outros exemplos de publicações literárias que seguem essa linha: Ácaro (SP), ET Cetera (PR), Irarana (BA).

Confiram entrevista com os editores da revista Coyote e do jornal literário Rascunho falando um pouquinho sobre essas publicações independentes:

Por Renan Correia.