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“A praia que canta” – Zadar, Croácia.

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Sobre lugares mágicos humanamente criados: A praia de Zadar, na Croácia foi transformada pelo arquiteto Nicola Basic, que, com a ajuda de um músico e de um engenheiro hidráulico, projetaram o Sea Organ, em 2005: Um órgão gigante nas escadarias da praia, tocado pela força do vento sobre as águas.
Durante a noite, a energia solar e a captada pelo “órgão do mar”, produzem um espetáculo de luzes e cores na instalação conhecida como “saudação ao sol”.

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Lindeza do dia: Elena, o filme.

Acabou hoje aqui em Parnaíba (PI), a Semana do Audiovisual (SEDA), promovida pelo Coletivo Porto Salgado em parceria com o Fora do Eixo. Em três dias de programações – dentre exibições de curtas, discussões acerca do cinema independente, oficinas de fotografia e intervenções teatrais – o longa autobiográfico, dirigido por Petra Costa, foi algo que me marcou profundamente – tanto pela sensibilidade da atriz e diretora ao expor a história de sua irmã, e a sua própria  –  quanto pela beleza absurda da fotografia do filme.

ELENA, o filmeTendo como ponto de partida o diário da irmã mais velha, Petra utiliza-se da arte para sublimar a dor e contar através de relatos e filmagens de arquivos pessoais, a história de sua família, que fora acometida por uma terrível fatalidade por volta dos anos 90.

Elena é um filme lindo, corajoso, sensível, verdadeiro, profundo e apaixonante. Talvez, por contar uma história real, as personagens não precisem de muito para manter o espectador completamente envolvido na história. Foi o que aconteceu comigo: a empatia com as personagens foi imediata e em poucos minutos já não havia mais volta: lá estava eu, apaixonada por Elena, dividindo suas mesmas paixões e nutrindo o mesmo amor intenso pela sua arte. Após a exibição, foram gravados depoimentos do público, mas eu não estava mais lá, fui procurar um lugar tranquilo para desatar o nó na garganta que tinha se formado durante os primeiros minutos de filme.

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Agradeço muito a todos que uniram forças para que um evento como a SEDA pudesse acontecer numa cidade ainda tão carente de ações interessantes como Parnaíba, e gostaria também de recomendar muito a quem tiver a oportunidade, que não deixe de conferir Elena, garanto que é de doer de tão lindo. ♥

SINOPSE:
Elena viaja para Nova York com o mesmo sonho da mãe: ser atriz de cinema. Deixa para trás uma infância passada na clandestinidade dos anos de ditadura militar e deixa Petra, a irmã de 7 anos. Duas décadas mais tarde, Petra também se torna atriz e embarca para Nova York em busca de Elena. Tem apenas pistas: filmes caseiros, recortes de jornal, diários e cartas. A todo momento Petra espera encontrar Elena caminhando pelas ruas com uma blusa de seda. Pega o trem que Elena pegou, bate na porta de seus amigos, percorre seus caminhos e acaba descobrindo Elena em um lugar inesperado. Aos poucos, os traços das duas irmãs se confundem, já não se sabe quem é uma, quem é a outra. A mãe pressente. Petra decifra. Agora que finalmente encontrou Elena, Petra precisa deixá-la partir.

desfile de marionetes

As marionetes da FH por Fause Haten

desfile de marionetes

Tenho acompanhado a SPFW bem por cima, mas do pouco que vi, um desfile em especial me chamou muito a atenção: o de FH por Fause Haten, que em sua coleção intitulada “O maravilhoso mundo do Dr. F”, substituiu as modelos por marionetes lindas que desfilavam vestidos dignos de sonhos. Quem não teve a oportunidade, pode conferir o vídeo completo do desfile abaixo:

O canal oficial da marca no youtube, também liberou um curta  que mostra detalhes do processo criativo da coleção e da confecção das bonecas.

Lindo, não é?

Oscar 2013 – Melhor Canção Original

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Nos últimos anos a Academia tem se preocupado cada vez mais com a queda da audiência do Oscar, o que implica em uma diminuição na quantidade de anunciantes e, consequentemente, na arrecadação da festa. Várias tentativas já foram feitas para atrair o público, desde alterações no tradicional script da cerimônia até a convocação de anfitriões com um maior apelo entre os jovens e as indicações de filmes campeões de bilheteria.

Neste ano o grande atrativo do evento, principalmente no quesito musical, será a performance de Adele, vale frisar que é primeira vez que ela cantará ao vivo a sua Skyfall . Tudo isso, é claro, pesa a favor da vitória da inglesa, mas será que ela levará mesmo o Oscar? Na dúvida, confira aqui no THC a análise dos indicados a Melhor Canção Original.

“Before my time”, de “Chasing ice” – J. Ralph (música e letra)

A balada segue a trilha da sua predecessora e vitoriosa I Need To Wake Up, mas ao contrário da música de “Uma verdade Inconveniente”, Before My Time não possui tanto apelo junto ao público, nem mesmo a performance de Scarlett Johansson parece se destacar entre os seus concorrentes.

“Suddenly”, de “Os miseráveis” – Claude-Michel Schönberg (música), Herbert Kretzmer (letra) e Alain Boublil (letra)

Todo mundo sabe que Os Miseráveis é uma musical e é lógico que se não tivesse ao menos uma música entre os indicados isso já seria uma vergonha tremenda. Por mais improvável que possa parecer, os musicais não têm tido um bom desempenho na premiação. A Academia já deixou de mãos abanando filmes como O Fantasma da Ópera, Dreamgirls e Nine. Outro fator que pesa contra a música de Hugh Jackman é que  apesar ser a única canção que não estava originalmente no musical que inspirou o filme, ela não é um dos maiores destaques da película (como esquecer ‘I Dreamed a Dream” na voz e atuação de Anne Hathaway?)

“Skyfall”, de “007 – Operação Skyfall” – Adele (música e letra)

Adele é uma das poucas cantoras que consegue juntar carisma, talento e performances inspiradas. A inglesa está a frente de um dos melhores temas de 007, em um dos períodos mais especiais da franquia que completa 50 anos e será agraciada com um homenagem especial durante a cerimônia de entrega dos Oscars. Muitos pontos positivos pesam a favor da canção que deve sair vitoriosa, a única dúvida que fica é a seguinte: será que Adele vai repetir a cara de “surpresa”  que fez no Globo de Ouro quando foi a ganhadora?

“Everybody needs a best friend”, de “Ted” – Walter Murphy (música) e Seth MacFarlane (letra)

É evidente que Ted fez sucesso e deve ter despertado algum interesse entre os membros da Academia que convocaram o seu criador Seth MacFarlane para ser o anfitrião da festa. Olhando um pouco para o histórico recente dos premiados na categoria, é possível identificar pelo menos dois ganhadores do Oscar (“Man or a Muppet” de The Muppets e “We Belong Together” de Toy Story 3,)  que envolviam pelúcias e coisinhas fofas, porém nenhum deles tinha a classificação indicativa para maiores de 16. Se você está se perguntando porque a música foi indicada, somos dois.

“Pi’s lullaby”, de “As aventuras de Pi” – Mychael Danna (música) e Bombay Jayashri (letra)

O multiculturalismo é uma das bandeiras defendidas pelos votantes do Oscar, por isso não raro vemos a presença de algumas películas ou músicas de outros países, mesmo assim, até hoje apenas três vencedores desta categoria foram canções que não tinha o inglês como idioma original. Mais recentemente, em 2007, a música, também indiana, Jai Ho  de “Quem quer ser um milionário?”  foi a vencedora.

E você, já elegeu a sua música preferida?

Resgatando experiências analógicas

Ao longo de 2012, Tânia Piloto e Emika Takaki viveram o que chamam de “experiências analógicas” no blog 361mais5. ‘Ser Analógico’, segundo elas, não se opõe a ‘ser digital’, experiência que a gente vive e conhece bem.

Ser analógico é voltar os olhos ao cuidado, ao carinho. É fazer uma pausa. É olhar para as pequenas coisas, para sensações que só podem ser sentidas e vividas de maneira analógica. Com o coração, com as mãos. É dar um abraço, é contemplar o sol, é escrever um bilhete.

Afinal, ficar horas na internet conhecendo gente nova, acompanhando blogs e compartilhando fragmentos da vida através de fotos no instagram, tudo isso – entre outras coisas que só a internet nos proporciona – é uma delícia, mas mais gostosa ainda é a vida além das redes sociais.

Recomendo que todos assistam o vídeo lindo do manifesto:

Terminei o vídeo com uma vontade enorme de pôr em prática todas essas experiências: colorir, escrever cartas, andar de bicicleta e sentir o vento no rosto, fazer as malas e me mandar por aí… Alguém mais ficou animado? Pois bem, as criadoras do manifesto e responsáveis pela loja ‘Com Lola‘, resolveram disponibilizar para venda a caixa do manifesto. Opção super original para quem quiser se auto-presentear ou presentear alguém especial. Dá uma olhadinha nos itens:

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E para inspirar mais ainda, recomendo que todo mundo dê uma olhadinha nas experiências relatadas no 361mais5. Vale muito a pena. ♥

Oscar 2013 – Indicados a melhor curta-metragem de animação

A categoria de melhor curta-metragem de animação é uma das deliciosas surpresas do Oscar. Sempre recheada de criatividade, ela até pouco tempo era praticamente impossível de ser acompanhada pelos cinéfilos que estavam fora do eixo dos festivais, pois dificilmente esses filmes chegam ao grande púbico. Eles ficaram mais acessíveis em razão da exigência dos membros da Academia para que estas pequeninhas obras de arte sejam exibidas no circuito comercial, com o advento do You Tube tudo ficou mais fácil ainda!

Os curtas, que pelas regras da premiação devem ter menos de 40 minutos, em sua maioria são mudos por três razões: baixo orçamento disponível para a sua produção; ou para tornar a roteiro mais coeso; ou simplesmente para dar um tom mais artístico e intimista à obra.

Entre os indicados deste ano temos concorrentes fortes como Head Over Heels que foi um dos maiores destaques do Anima Mundi 2012, além de ter participado do Festival de Cannes. Há ainda dois vencedores do Annie Awards (considerado o Oscar da Animação): Adam and Dog e Paperman, os premiados de 2012 e 2013 respectivamente.  Assim, sobram menos chances para The Longest Daycare e Fresh Guacamole.

Então vamos conhecer e assistir cada um dos Curtas indicados?

Maggie Simpson: The Longest Daycare (2012)

Sim, os Simpsons estão no Oscar 2013, e tudo graças a Maggie. A caçula da “família-modelo” protagoniza o curta sobre um dia na sua creche.

Assista o vídeo aqui.

Adam and Dog (2012)

Ao longo dos seus 15 minutos, o curta Adam e Dog apresenta belíssimas imagens de uma espécie de Paraíso onde a solidão de Adam (Adão) é quebrada quando ele encontra Dog (o Cão) os dois se tornam amigos inseparáveis até o dia em que Eve (Eva) aparece. Uma criativa e poética releitura da famosa estória bíblica de Adão e Eva.

Fresh Guacamole (2012)

O curta de menor duração entre os indicados deste ano desenvolve uma divertida receita de Guacamole onde os ingrediente são objetos comuns (como bolas de baseball, dados, lâmpadas e etc) que rapidamente vão compondo um inusitado (e apetitoso?) prato de Guacamole.

Head Over Heels (2012)

O lírico Head Over Heels mostra o desgastado relacionamento de seus protagonistas, onde estes, apesar de dividirem o mesmo teto, vivem em mundos literalmente opostos e por vezes incomunicáveis.

Paperman (2012)

O curta da Disney carrega consigo a especialidade do estúdio em tocar o coração do expectador e apresenta uma estória de amor a primeira vista, com encontros e desencontros acompanhada por um trilha sonora deliciosa. Tecnicamente, o curta é mais ousado de todos os indicados, além de ter sido rodado em um preto e branco minimalista, ele mistura a animação tradicional com a computação gráfica através da novíssima técnica Meander.

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A 85ª cerimônia de entrega dos Oscars acontece no próximo dia 24, nós do THC estamos na torcida por Paperman, e você?

Globo de Ouro – Melhor Filme Drama

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A categoria de Melhor Filme Drama é a mais aguardada da noite de premiações do Globo de Ouro que acontece hoje, talvez porque estas películas causem mais impacto e exijam mais de seus atores. A disputa nessa categoria deve se concentrar entre os gigantes “Argo”, “Lincon” e “A hora mais escura”. Coincidentemente todos os indicados também estão na disputa pelo Oscar de melhor filme. Que tal conhecer um pouco mais sobre eles? O THC te ajuda! Olha só a nossa opinião sobre cada um deles.

Argo (Argo,2012)

Ben Affleck desde que assumiu a carreira de diretor tem mostrado que leva jeito pra coisa. O seu novo filme Argo, que é baseado em fatos reais, traz a história da operação da CIA para recuperar 6 diplomatas americanos que ficaram presos no Irã em 1979 durante o governo do aiatolá Khomeini. O plano engenhoso é o seguinte, criar um filme falso chamado “Argo” e fazer com que o especialista em fugas Tony Mendez (Ben Affleck) entre no país e saia de lá com os refugiados que deverão se apresentar como a equipe de produção do filme. A trama é engenhosa e bem desenvolvida, Affleck optou por fazer um filme patriótico sem os excessos comumente encontrados em outras películas e obteve um resultado exemplar.

Django Livre (Django Unchained, 2012)

O novo filme de Tarantino não é superior ao seu trabalho anterior (Bastardos Inglórios), mas é uma bem sucedida homenagem aos filmes de Sergio Leoni, desde os créditos iniciais até a presença na trilha sonora das composições de Ennio Morricone (colaborador fiel de Leoni). O filme, como não poderia deixar de ser, é sanguinolento e repleto de humor negro. A violência gráfica de Tarantino ganha contornos impressionantes, cada tiro ou briga é acompanhado por muitos esguichos de sangue. A trilha sonora é um verdadeiro mix, vai desde o hip hop até os temas mais clássicos dos faroestes spaghetti. Não há aqui o luxuoso elenco internacional de Bastardos Inglórios, mas Christoph Waltz, Leonardo diCaprio, Samuel L. Jackson e Jamie Foxx dão conta do recado.Para os fãs do diretor, há até uma participação especial dele no filme.

As Aventuras de Pi (Life of Pi, 2012)

O filme de Ang Lee é belo e inspirado.O roteiro narra as aventuras de Piscine Molitor Patel, ou simplesmente Pi, como se justificará (de forma divertida) ao longo do filme a sua razão de ser. O garoto é filho dos donos de um zoológico localizado em Pondicherry, na Índia, e em virtude de dificuldades financeiras os personagens decidem se mudar para o Canadá, viajando a bordo de um cargueiro que também transporta a grande maioria dos animais do zoo. Durante o percurso o navio naufraga e Pi consegue sobreviver em um barco salva-vidas, onde logo descobrirá que terá que dividir o espaço com uma zebra, um orangotango, uma hiena e um tigre de bengala chamado Richard Parker, o qual vai aos poucos pondo fim à vida dos outros animais que estão ali. Para saber mais sobre filme, leia aqui a minha crítica feita para o lounge do obvious.

Lincoln (Lincoln, 2012)

Steven Spielberg em seu novo filme conta um capítulo importante da história dos Estados Unidos. A película em alguns momentos é cansativa porque envolve muitos diálogos que exigem a atenção do espectador, afinal se narra aqui a luta pela aprovação da emenda anti-escravidão, por isso há debates no Congresso, muitas articulações e, é claro, muita história. A atuação de Daniel Day-Lewis como Lincoln é impressionante, desde a transformação física do ator até a interpretação contida e incisiva do presidente que fizera história em sua nação.

A Hora Mais Escura (Zero Dark Thirty, 2012)

A busca por Bin Landen foi tão minuciosa e envolta de mistério que de fato daria um bom filme, por isso Kathryn Bigelow resolver levar a história para as telonas só que em uma abordagem diferente, ela iria falar sobre o insucesso da caça ao terrorista, eis que, no meio da produção, o inimigo público número um dos EUA é encontrado e assassinado. Mark Boal (Guerra ao Terror) teve então que reescrever toda a trama. O resultado foi bastante positivo e o filme gerou protestos por ter exposto os métodos de tortura da CIA, mesmo que agência tenha negado ter feito isso e dito que tudo aquilo era apenas uma “dramatização” dos acontecimentos. Como muita coisa da operação ainda é sigilosa, a película de Bigelow é uma boa oportunidade para se ter ao menos uma noção do que se passou durante a caçada ao terrorista. Jessica Chastain impressiona por sua atuação precisa e objetiva de Maya a agente da CIA que liderou a operação.

Com tantas produções de alto nível na disputa pela estatueta fica difícil eleger a melhor, mas levando em conta a ascensão de Ben Affleck e sua bem sucedida aposta na carreira de diretor nós aqui no THC estamos torcendo por Argo. E você, já elegeu o seu preferido?

Globo de Ouro – Melhor Filme Musical ou Comédia

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Diferentemente do Oscar, o Globo de Ouro divide a categoria de Melhor filme em: Melhor filme drama e Melhor filme comédia ou musical. A separação ajuda a tornar a premiação mais justa porque faz com que os indicados concorram com  filmes do mesmo gênero.

Dentre os nomeados a Melhor Filme Comédia ou Musical, há grandes produções como “Os Miseráveis” e filmes menores como “O Exótico Hotel Marigold”. Ainda na disputa pela estatueta há a grande surpresa “Amor Impossível” tido como o “azarão” da premiação. O THC assistiu todos os indicados e divide agora com vocês as nossas impressões.

O Exótico Hotel Marigold (The Best Exotic Marigold Hotel, 2011)

Que tal reunir um conjunto de atores experientes e consagrados e fazer uma comédia despretensiosa? Partido desta excelente ideia surge o Exótico Hotel Marigold. Apesar de ser repleto de clichês e demorar um pouco para decolar, a película de John Madden (Shakespeare Apaixonado,1997) se segura em razão do seu elenco de veteranos que sabem que não estão ali para fazer um grande filme e sim para se divertir e relaxar, porque afinal atores do cacife de Bill Nighy, Maggie Smith, Tom Wilkinson e Judi Dench podem se dar a este luxo de não se levarem a sério. As chances do filme são ínfimas, mas surpresas podem acontecer.

Os Miseráveis (Les Misérables,2012)

A adaptação da consagrada obra de Victor Hugo, ganha aqui proporções fantásticas que vão desde a monumental cena de abertura, até as excelentes atuações de Hugh Jackman, Russell Crowe e Anne Hathaway (em uma performance inspirada). Praticamente todos os diálogos do filme são musicados, o que faz com que o espectador seja transportado para os palcos da Broadway. Os cenários escuros e sujos remetem a degradação da França pré-revolução e ajudam a compor a atmosfera densa da película, suavizada pelos bons momentos cômicos a cargo de Sacha Baron Cohen e Helena Bonham Carter. Os Miseráveis é um candidato fortíssimo à estatueta, a iniciativa de recuperar um gênero (musicais) que fez sucesso na Hollywood dos anos 50 é uma aposta que deve ser incentivada.

Moonrise Kingdom (Moonrise Kingdom, 2012)

O novo filme de Wes Anderson é simpático e atraente. A atmosfera surreal de seus personagens ajuda a contar a estória do casal de pré-adolescentes que busca viver um amor impossível e para isso trilham uma jornada pela ilha onde moram. A direção de arte e a trilha sonora são achados à parte. Para aproveitar essa experiência cinematográfica o espectador deve deixar a sua imaginação livre e desfrutar de toda a criatividade e a beleza retrô da película. Moonrise Kingdom conquistou boa parte da crítica e tem chances de sair vitorioso.

Amor Impossível (Salmon Fishing in the Yemen, 2011)

A grande surpresa da premiação, Amor Impossível é uma comédia romântica suave e despretensiosa, o filme começa bem e vai perdendo um pouco de fôlego ao logo da projeção, mas consegue chegar ao final com um resultado satisfatório. A estória do xeique milionário que tenta implementar a pesca de salmão no meio do deserto e para isso requer que sua assistente (Emily Blunt) peça a ajuda do especialista em peixe e pesca Dr. Alfred Jones (Ewan McGregor), funciona bem devido à interação do seu casal de protagonistas. Há até um pouco de espaço para Kristin Scott Thomas brilhar com sua hilariante personagem “linha-dura”. Um bom filme para se assistir como uma mera forma de entretenimento, a regra básica para apreciá-lo é não esperar muito da trama.

O Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook, 2012)

Uma das boas novidades deste ano, O Lado Bom da Vida conta a estória de Pat Solitano Jr. (Bradley Cooper) um bipolar que acaba de sair de uma clínica de reabilitação e tenta voltar para a vida “normal”, em sua jornada encontra Tiffany (Jennifer Lawrence), uma garota problemática em busca da superação da morte do marido. A interação entre os jovens protagonistas proporciona momentos divertidos e diálogos inspirados. Confesso que estava ansioso para assistir o filme em razão da sua boa aceitação nesta temporada de premiações. Minhas expectativas eram altas e mesmo assim, felizmente, não me decepcionei.

Globo de Ouro – Melhor Animação

As animações não são mais só coisa de criança, elas cresceram e hoje se tornaram universais carregando lições não só para os pequenos como também para os adultos. Cada vez mais sofisticadas, elas usam e abusam de todas as formas possíveis de ferramentas de entretenimento, neste ano todos os indicados na categoria de melhor animação tiveram o seu lançamento em 3D e, fora alguns casos em particular, souberam fazer um bom uso desta ferramenta.

A Disney, após o desempenho pífio do ano passado quando apenas “Carros 2” recebeu uma nomeação,  conseguiu emplacar 3 de suas produções na lista de indicados (Valente, Frankenweenie e Detona Ralph).  A equipe do THC conferiu os nomeados e apresenta agora as nossas impressões.

Valente (Brave,2012)

A primeira protagonista de um filme da Pixar esbanja personalidade, carisma e rebeldia. Talvez muitas crianças não consigam se identificar com a personagem, mas adolescentes ou que já passou desta fase, vai encontrar em Merida o seu alter ego . A estória da princesa que se revolta contra as convenções/tradições impostas por sua mãe e aspira a liberdade poderia reder muito, porém acaba recaindo nas convenções do gênero. O uso do 3D é contido, mas nem por isso menos interessante, as florestas da Escócia e a densa cabeleira da protagonista são as principais proezas técnicas do filme.

Frankenweenie (Frankenweenie,2012)

Tim Burton está de volta ao mundo da animação em uma película extremamente saudosista, que faz referências a alguns clássicos de terror nos anos 30, dentre eles Frankenstein. Completamente rodado em preto e branco, o filme é gracioso e repleto das excentricidades de seu diretor que não poupa esforços para tentar derramar as lágrimas dos espectadores. A trama, uma adaptação de um curta de 1984 do próprio cineasta, conta a estória do amor incondicional de um menino por seu cachorro, levado ao extremo quando o garoto ressuscita o animal morto em um atropelamento. Há aqui boas doses de humor negro combinadas ao criativo uso do stop motion que juntos fazem um dos melhores filmes da carreira de Burton.

Hotel Transsilvânia (Hotel Transylvania, 2012)

Uma verdadeira desconstrução das lendas de terror, “Hotel Transilvânia” parte de uma premissa interessante, porém acaba se transformando em uma trama fútil e repetitiva que não empolga, nem o 3D consegue fazer alguma diferença. Não conseguimos enxergar aqui alguma coisa que faça com que este filme seja digno de receber a estatueta do Globo de Ouro. Caso ele não esteja amanhã (10) na lista de indicados ao Oscar, não será uma grande surpresa.

A Origem dos Guardiões (Rise of the Guardians, 2012)

Confesso que me surpreendi com “A Origem dos Guardiões”, esperava menos do filme. Na trama, como se fosse uma espécie de “Vingadores”, os Guardiões (Papai Noel, Coelho da Páscoa, Fada do Dente, Sandman e Jack Frost) se reúnem para combater o Bicho-papão que ameaça acabar com todos os sonhos das crianças. O filme agrada especialmente aos pequenos (que ainda acreditam nesses personagens), para o restante do público a sensação presente é a de uma constante nostalgia. O 3D é muito bem utilizado, proporcionando cenas de tirar o fôlego e momentos de uma beleza singular. Não fosse a sua superficialidade, a película sem dúvida se sairia muito bem na premiação.

Detona Ralph (Wreck-It Ralph, 2012)

Detona Ralph agrada principalmente aos gamers saudosistas, o filme traz vários personagens dos jogos clássicos e atuais, é como se fosse um Toy Story para uma nova geração, onde os brinquedos são substituídos pelo mundo virtual dos jogos. A película traz um debate interessante sobre a forma como constantemente a sociedade tende rotular as pessoas (já escrevi sobre isso na minha página no Obvious Lounge, confira aqui). A luta de Ralph para deixar de ser um vilão é divertida, pontuada por alguns momentos de reflexão e cheia de personagens fofos (que por sinal é uma das especialidades da Pixar ). O filme é um forte concorrente ao prêmio de sua categoria.

A disputa na categoria de Melhor Animação está acirradíssima, nós aqui no THC acreditamos que o prêmio deva ficar entre “Detona Ralph” ou “Frankenweenie”, que por sinal é o nosso favorito. E vocês, já escolheram algum?

Globo de Ouro – Melhor Canção Original

A música exerce um papel fundamental nos filmes, ela ajuda a definir o ritmo da cena, funciona como uma boa ferramenta de divulgação e além, é claro, de ser uma das principais lembranças que o espectador leva após o fim da sessão. O Globo de Ouro tem a tradição de manter entre os seus indicados cantores mainstream reforçando a tendência pop do evento, não é a toa que ano passado a estatueta de melhor canção original ficou com Madonna (como assim?) por “Masterpiece” composta para W.E.

Um detalhe curioso é que nos últimos 8 anos, de todos os ganhadores dessa categoria, excluindo “Crazy Heart’s” e “The Weary Kind”, nenhum deles sequer recebeu alguma indicação ao Oscar. Entre os indicados deste ano, a disputa deve ser mais acirrada para as cantoras Adele e Taylor Swift. Sem mais delongas vamos aos indicados!

For you — Ato de Coragem (Música de: Monty Powell, Keith Urban e Letra de: Monty Powell, Keith Urban)

Uma música extremamente patriótica, que vangloria a bravura dos soldados americanos em trechos como: And I wonder, would I give my life?/Could I make that sacrifice?/If it came down to it, could I take the bullet, I would./Yes I would for you; ao mesmo tempo em que fala das famílias dos militares: Maybe you don’t understand/I don’t understand it all myself./But there’s a brother on my left and another on my right./And in his pocket just like mine, he’s got a photograph./And they’re waiting for him back home.

 

Not running anymore — Amigos Inseparáveis (Música de: Jon Bon Jovi e Letra de: Jon Bon Jovi)

O Bon Jovi, que já ganhou um Globo de Ouro por “Blaze Of Glory” de Jovens Demais para Morrer (Young Guns II, 1990), apresenta uma música mediana (sem graça), que fala do fim da vida e do amor: You ask about my conscience/And I offer you my soul/You ask If I’ll grow to be a wise man/Well I ask if I’ll grow old/You ask me if I known love/And what it’s like to sing songs in the rain/Well,I’ve seen love come/And I’ve seen it shot down/I’ve seen it die in vain.

Safe & Sound — Jogos Vorazes (Música de: Taylor Swift, John Paul White, Joy Williams, T Bone Burnett e Letra de: Taylor Swift, John Paul White, Joy Williams, T Bone Burnett)

Queridinha dos adolescentes, a cantora Taylor Swift se juntou ao Civil Wars e compôs “Safe & Sound” para o filme Jogos Vorazes.A música melodramática apresenta trechos como: I remember tears streaming/down your face/When I said, I’ll never let you go/When all those shadows almost killed your light/I remember you said, Don’t leave me here alone/But all that’s dead and gone and passed tonight.O apelo da intérprete e do filme junto ao grande público teen pode contribuir para que a canção saia vitoriosa na cerimônia de domingo.

 Skyfall —007 – Operação Skyfall (Música de: Adele, Paul Epworth e Letra de: Adele, Paul Epworth)

Ninguém duvida do talento de Adele, que acertou em cheio no novo tema de 007 que relembra saudosamente alguns clássicos da franquia que completa 50 anos de história. A música evoca o fim: This is the end/Hold your breath and count to tem/Feel the Earth move and then/Hear my heart burst again; a origem e os amores de James Bond: Skyfall is where we start/A thousand miles and poles apart/Where worlds collide and days are dark/You may have my number/You can take my name/But you’ll never have my heart. Uma canção bem composta que casa perfeitamente com a trama. Adele exala sensualidade, glamour e mistério em uma interpretação tal qual as famosas Bond girls.

Suddenly — Os Miseráveis (Música de: Claude-Michel Schonberg e Letra de: Herbert Kretzmer, Alain Boublil)

A única música derivada de um musical, “Suddenly” testa os dotes vocais de Hugh Jackman e apresenta um bom resultado carregado de interpretação na qual Jean Valjean canta sobre a descoberta do amor paternal por Cosette. Uma boa canção que perde o seu brilho em meio a tantas músicas de astros pop, e consequentemente, não aparenta ter grandes chances na disputa pelo Globo de Ouro, talvez consiga ao menos uma nomeação ao Oscar.

Apresentados os indicados agora só nos resta esperar pelo grande dia. Aqui no THC nós elegemos Skyfall como nossa preferida e vocês?